Eu tenho por hábito (para alguns será mau) de não me ligar muito a nada (material ou mesmo humano), sou deveras distraída e desfaço-me de tudo o que não me serve em qualquer momento.
Esta minha forma de viver, parece contraditória, quando vivo com medos (do que foi, do que é e do que será) e sofro com o sofrimento dos outros.
O ano de 2008 foi de re-descoberta pessoal, de questionar e responder a tudo, e fez-me tomar consciência dos meus sucessos(o amor e apoio incondicional dos meus pais que guardo, os amigos sinceros e compreensivos que reconheço, as escolhas profissionais que tenho feito, o amor que tenho co-construído ao longo de 12 anos) e crenças (concluindo que a fé não é mais do que energia que nos transforma em alguém melhor) mas também de sentir as minhas falhas (lidar mal com a frustração, evitar estar presente na vida de certas amigas para evitar confrontos, lidando com elas com uma certa dose de frieza e desinteresse falsos, viver momentos na minha relação com ciúmes por não me valorizar, guardar mágoas dos meus pais e tomar opções de vida erradas por causa disso, viver com arrependimento e mágoa por não dizer o que penso e ter perdido a oportunidade com algumas pessoas de dizer o que sinto)
Não foi fácil assumir tudo isto, e só em 366 dias...
Hoje no primeiro dia de 2009, estou como o dia, chove no meu pensamento e sinceramente não sei o que esperar...
Não me apetece fazer como sempre fiz: deitar fora e desligar do que foi 2008 e fazer planos renovados para 2009.
Este ano de 2009, vou fazer 30 anos e apesar de não ter sido sempre assim, sinto-me com essa idade e responsabilidade de olhar o futuro um dia de cada vez.
Sem mágoas do que passou, nem medo e ansiedade pelo que será.
Vou viver cada dia como uma dádiva, tentar dar o melhor de mim, a mim própria e aos que me rodeiam, lutando pelos meus objectivos pessoais e profissionais, de simplesmente adormecer e acordar com um sorriso.
Vou agradecer cada dia que passar, cada momento que viver, cada pessoa que entrar na minha vida, cada oportunidade que surgir e continuar no meu caminho de encontro ao meu dharma...
Tal como uma música dos Donna Maria (Há amores assim):
Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar
Sem lágrima caída
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada
De bem com a vida.
